segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Em memória

Não sou um teatrologo, mas, quero dedicar este texto ensaio em memória as pessoas que sofreram pelas enchentes em Pernambuco e Alagoas.

Homem- Tem fé mulher! Tem fé que Deus vai nos tirar daqui.

Mulher- Homem! Tais vendo que as águas levam tudo que temos.

- O céu troveja, relampeia. O dia nasce, morre o dia e pedes que eu tenha fé?

- Onde tá Deus homem, pra nos tirar desse lamaçal? A chuva não da trégua sobre nossa cabeça... O vento castiga com toda maldade sem cessar um só momento o seu sopro, impedindo homem, que teu filho possa ver pela última vez o boneco de madeira que fizeste sendo levado pelas águas.

Homem- Tem fé mulher! Pois chegará o dia em que essas águas se tornaram em bonança e que este vento soprará a nosso favor... O sol dará seu brilho e vamos contemplar mulher que Deus vai nos tirar daqui.

Mulher- Sair deste buraco para outro buraco? Sair desta lama para outra lama? Sair destas águas para outras águas? Homem! Não aguento mais; as águas não removem muinho para trazer de volta o que perdemos.

- Esta enchente levou junto com o que perdemos os meus sonhos, meus projetos, minha alma, minha vida. Estou bem certo homem, o que nos resta agora é só a morte.

Homem- Mulher eu também acho! O que eu sonhava virou um destroço, tornaram-se águas sob águas, lama sob lama... Também acho que agora o que nos resta é a morte.

Menino- Pai! Mãe! Tenham fé! Tenham fé que Deus vai nos tirar daqui!.

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