sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Riso

Ela desejou meu sorriso estampado num retrato pra poder ver. Como poderei estampar meu riso numa foto si só consigo rir contemplando-a? A imensidão de seus cabelos castanhos, solto derrama-se sobre sua face como a cor do luar, cobrindo às vezes o brilho dos seus olhos repousando em seu nariz afilado esculpido pelas mãos do escultor do Universo.

Suas pálpebras movimentavam lentamente de maneira infindável em busca de um fraguimento de meu riso. Não sei o porquê ela deseja meu sorriso, já que o seu está banhando de amor. Espetáculo é o abrir de sua boca e fascínio é o seu riso, alegro-me em passear em seus lábios vermelhos naturais e observar as moléculas provocadas pelo sol, brotando como o orvalho completando mais um espetáculo.

Seu queixo? O que falar dele? Ele é o ponta pé inicial onde começo a me perder na iniciação da contemplação de todo o seu corpo. O que falar de suas mãos? Ainda a sinto deslizando com suavidade e esplendor desde a última vez que ela me tocou.

Minha visão acompanhou seu último andar, e seu desejo o meu último sorriso...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Na mesa consigomesmo

Fui à mesa em companhia de meus sentimentos... Puxei a cadeira calmamente para que minha vida sentasse com grande espetáculo e de forma solene e única na cadeira da reflexão. Puxei-a junto a minhas pernas até onde achei confortável.

Meus sentimentos após tomar um drink de lembranças passadas; dizia já embebedecido que a vida é cheia de circunstâncias. Enquanto meus pensamentos sensacionalistas embriagavam-se nos drinks da vida, achei que deveria acompanhá-lo, mas, não tomando um drink, porém saciando minha fome nos pratos da alegria.

Quem pode saciar meus desejos? Quem sentará comigo á mesa se só tenho para compartilhar complicações da vida? Incomodado com essas duas indagações e outras que não citei, meus sentimentos incomoda-se, angustia-se, e perturbado decide retirar-se da mesa dando o último gole no cálice da incompreensão, então, sai sem me compreender deixando-me mais uma vez só.

Finício


Angustiado, incomodado, apreensivo e de sobre modo sendo torturado pela produção dos meus pensamentos; para escrever depois de duas horas o início de minhas lamentações. Por fim consegui então, escrever o fim dela.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Os cinco sentidos e um pouco mais


Grita estrondantemente de forma abusiva, agressiva e saltitante para que ninguém te ouça

Contempla este céu azul e sua infinidade de estrelas com teus olhos cegos

Ouvi as entonações clássicas das águas... Descendo os rios com ouvidos surdos

Toca a face de tua amada sem ter o consentimento de como ela seja

Joga a fragrância pro ar e suspira com toda a força dos pulmões e perceberás que não irás sentir nenhuma fragrância

Corre incansavelmente como um leopardo nesta estrada de insignificância para que não possas alcançar o fim dela

Pula com toda a tua força com o objetivo de alcançares o céu, mas, faz, sabendo que não passarás do limite de tua cabeça

Voa com tuas “asas” sem levantar voo, e aterrissa sem antes ter voado

(...)